Pipocas Literárias, sabe o que é?
As Pipocas literárias são pequenos textos que contam o vivido no cotidiano com as crianças, professores, coordenação pedagógica, e pais.
São chamadas de Pipoca pelo de fato de serem ideias que estouram na cabeça.
Vamos conhecer uma?
Essa foi escrita pela estudante de Pedagogia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO, e bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), vivenciado no Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (ISERJ)
São chamadas de Pipoca pelo de fato de serem ideias que estouram na cabeça.
Vamos conhecer uma?
Essa foi escrita pela estudante de Pedagogia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO, e bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), vivenciado no Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (ISERJ)
Tem alguma coisa embaixo do meu colchão!
Beatriz da Conceição Guedes*
Em uma quinta-feira
nublada, cheguei no Instituto Superior de Educação do Estado do Rio de Janeiro
(ISERJ), onde sou bolsista do Programa institucional de bolsas de iniciação à
docência. Acompanho a turma 43, onde os estudantes têm 4 anos. Fiquei esperando
a chegada dos pequenos, porém poucos chegaram na sala. Achei meio estranho, até
que chegaram mais. E ao chegarem todos, a Silvana (professora regente), foi
tentar falar com eles sobre a rotina do dia. Mas as crianças estavam tão
agitadas que não deixaram a professora nem começar a falar. Acabamos indo tomar
café.
Depois do café fomos para
a área livre brincar um pouco. Um pouco não, muito! Saímos de lá suados e bem
cansados.
Voltamos para a sala, pois
a Silvana propôs aos meninos e meninas que desenhassem suas famílias e quem
terminasse iria pintar comigo o cenário para a peça da cacatua. Foi uma
bagunça! Até eu me sujei, mas foi bem divertido. Contudo, o melhor ainda estava
por vir.
Os que foram acabando de
pintar iam tomar banho. Como sempre fazemos, colocamos livros em cima da mesa e
os meninos e meninas sempre nos pedem para que leiamos juntos à eles. Mas hoje
foi especial.
Eu não pensei em nenhuma
ação para este dia, mas deixei as coisas acontecerem.
O Caio pediu para que eu
lesse junto com ele o livro: “Tem alguma coisa embaixo do meu cobertor! ”
Estávamos sentados perto do quadro, somente eu e ele. Comecei a história:
-
Janice está chateada. Ela segue sua mãe para todo o canto.
Quando vi o Gabriel estava
perto da gente e continuei contando.
-
Mamãe! Eu estou muito, muito chateada!
- Disse Janice.
-Espere
só um pouquinho. Nós podemos brincar depois que eu fizer sua irmã dormir. –Disse a mãe com toda calma.
*Estudante de pedagogia da
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e Bolsista do Programa
Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência
Brava, Janice vai para seu
quarto.
-
A mamãe só gosta da minha irmã! Assim eu nunca vou brincar com a mamãe!- Esbravejou Janice.
-
Tem alguma coisa embaixo do cobertor!-
Disse Janice surpresa.
Fiz um pequeno suspense e
disse: - Psiu! Tem um barco com 5 duendes
embaixo do coberto! Vamos contar juntos? 1,2,3,4,5.
Neste momento quando fui
ver, quase a turma toda estava em volta de mim! Fiquei tão feliz em ver que
eles se atraíram por uma história que não pensei. Pensei o quanto é lindo ser
professora.
Continuei contando.
-
Tem alguma coisa embaixo do cobertor!
Janice
olha para sua cama e diz: - Hum, o que há embaixo do cobertor?
Eles estavam eufóricos
querendo saber o que mais tinha embaixo do cobertor.
-Psiu!
Tem um palhaço embaixo do cobertor! 5 mais 1 é 6! Vamos contar juntos?
1,2,3,4,5,6.
Tive um pequeno
probleminha com o Ruan, pois ele queria que eu lesse a história somente para
ele, mas a turma queria ouvir também e expliquei isso para ele. Não sei se essa
postura é recorrente na turma, mas os meninos e meninas o repreenderam por ele
estar atrapalhando a continuidade da história. Passado isso, voltei a contar a
história.
-
Gente! Tem alguma coisa embaixo do cobertor!
Janice,
brava, joga seu ursinho e diz: - Ah, não tem nada!
Continuei: -Psiu! Tem uma locomotiva embaixo do
cobertor! 6 mais 1 é 7! Vamos contar? 1,2,3,4,5,6,7.
Nessa hora, o David me
cutucou e disse: “Tia, tô com fome! ”
E todos começaram a falar que estavam com fome, mas ainda faltava um pouco para
comermos. Todos começaram a se dispersar, mas queria saber o que ia acontecer
quando terminasse de contar a história.
Contamos até 8, 9, quando
cheguei ao 10, pedi para que eles me mostrassem as mãozinhas e contei junto com
eles até 10 mostrando os dedos.
Terminei a história
dizendo: -Janice não está mais
chateada... Brincar embaixo do colchão é muito divertido!
Quando vi já estava na
hora do almoço. As crianças, animadas, foram correndo limpar as mãos só o Caio
ficou do meu lado, pedindo para que eu contasse de novo, mas estava na hora
dele comer e acabei por não contar.
Percebi com esse momento
foi importante para a minha formação como professora, se não tivesse atenta não
somente a ele, mas também a turma, nada disso teria acontecido. E como diz
Wanderley no capítulo VII Aula como
acontecimento, vivemos aprendendo e principalmente com as crianças.
Gostou? Não gostou? Deixe seu comentário, será muito importante para nós!

Já conhecia o Pipocas Literárias e acho incrível!! Que fato legal esse que aconteceu com você! Ps: as crianças do Iserj são demais <3
ResponderExcluirMuito fofas mesmo!
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